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Estudo

Migração interna e mercado de trabalho: o caso do eixo Norte–Sudeste

Análise de fluxos migratórios entre 2018 e 2025 e seu efeito sobre salários no destino.

Resumo: o estudo mede fluxos migratórios do Norte para o Sudeste entre 2018 e 2025 e estima seu efeito sobre salários nas regiões metropolitanas de destino.

Dados: RAIS e Censo Demográfico (amostra), complementados com registros do CadÚnico. Amostra de 1,8 milhão de vínculos formais.

Método: diferenças-em-diferenças com variação de fluxo por origem como tratamento. Controles por setor, escolaridade e idade.

Achado: regiões receptoras com fluxo acima da mediana registraram salário médio 2,1% menor no curto prazo (12 a 24 meses), com recuperação parcial ao longo de 36 meses.

Interpretação: o resultado é coerente com modelo de oferta de trabalho. O efeito se concentra em ocupações de baixa qualificação; em ocupações técnicas, o efeito é estatisticamente nulo.

Heterogeneidade: mulheres migrantes enfrentam penalidade salarial 1,4 vez maior que homens, padrão já documentado na literatura.

Implicação: políticas de integração no destino — creche, habitação, reconhecimento de diploma — podem mitigar parte do efeito de curto prazo.

Conclusão: a migração interna não reduz salários de forma permanente, mas impõe pressão setorial mensurável. Respostas de política devem focar integração, não restrição.

Dr. Paulo Renatto Aguiar
Dr. Paulo Renatto Aguiar

pesquisador. Doutor em economia do trabalho, estuda mobilidade e mercado de trabalho urbano.

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